Poucas coisas são tão incômodas quanto descobrir que o vidro elétrico não sobe, principalmente quando começa a chover ou na hora de deixar o carro estacionado. A falha pode estar em um fusível, no botão, na fiação, no motor ou na máquina de vidro. Com alguns sinais simples, dá para ter uma boa ideia de onde está o problema antes de abrir a porta.
Como o vidro elétrico funciona
O sistema tem quatro partes principais:
- Botão (interruptor): na porta de cada passageiro e no comando central do motorista;
- Fiação e conectores: passam pela borracha sanfonada entre a coluna e a porta;
- Motor elétrico: gira nos dois sentidos para subir ou descer o vidro;
- Máquina de vidro (regulador): mecanismo de cabos, polias e trilhos, ou de braços articulados, que transforma o giro do motor em movimento vertical do vidro.
Em muitos carros, um módulo de conforto ou de porta controla funções como subida automática com um toque, antiesmagamento e fechamento pelo controle da chave.
Causas mais comuns
Fusível ou relé queimado
Se nenhum vidro funciona, ou se vários pararam ao mesmo tempo, comece pelo fusível ou relé do circuito. Confira o diagrama na tampa da caixa de fusíveis. Veja como fazer em fusíveis e relés do carro.
Botão com defeito
Os contatos internos do interruptor se desgastam e oxidam, principalmente no comando do motorista, que é o mais usado. Um sinal típico: o vidro funciona pelo botão da própria porta, mas não pelo comando central, ou o contrário.
Fio rompido na passagem da porta
A fiação dobra toda vez que a porta abre e fecha. Com os anos, os fios se rompem dentro da borracha sanfonada. O sintoma clássico é o vidro funcionar só com a porta em certa posição, ou falhar de forma intermitente. Problemas assim são detalhados em mau contato no chicote elétrico.
Motor elétrico fraco ou queimado
Se o vidro sobe muito devagar, para no meio do caminho ou só funciona depois de uma batida no forro da porta, as escovas do motor podem estar gastas. Se não há nenhum ruído ao apertar o botão, e a energia chega ao conector, o motor pode estar queimado.
Máquina de vidro quebrada
Quando você aperta o botão e ouve o motor funcionando, mas o vidro não se mexe, desce torto ou cai dentro da porta, o problema é mecânico. Cabos rompidos ou desenrolados, polias plásticas quebradas e suportes do vidro soltos são os defeitos mais comuns.
Canaletas ressecadas
As borrachas que guiam o vidro ressecam e acumulam sujeira, aumentando o atrito. O motor faz mais força, o vidro fica lento e o sistema antiesmagamento pode entender que há um obstáculo e fazer o vidro descer de novo.
Vidro desprogramado
Em carros com subida automática, desligar a bateria pode fazer a função de um toque e o antiesmagamento pararem de funcionar. Muitas vezes, basta reprogramar: manter o botão pressionado com o vidro todo fechado por alguns segundos, e depois todo aberto. O procedimento exato varia de carro para carro e está no manual do proprietário.
Diagnóstico rápido pelos sintomas
| O que acontece | Causa provável |
|---|---|
| Nenhum vidro funciona | Fusível, relé ou comando central |
| Só funciona por um dos botões | Botão com defeito |
| Funciona às vezes, mexendo na porta | Fio rompido na passagem da porta |
| Motor faz barulho, vidro não mexe | Máquina de vidro quebrada |
| Silêncio total, energia chegando ao motor | Motor queimado |
| Vidro lento ou volta sozinho | Canaletas com atrito ou motor fraco |
O que evitar
- Não force o vidro com as mãos para subir ou descer;
- Não fique insistindo no botão quando o vidro trava: o motor pode superaquecer e queimar;
- Não use graxa grossa nas canaletas, que acumula poeira; prefira produtos específicos à base de silicone;
- Evite bater a porta com força com o vidro aberto.
Reparo e troca
Abrir a porta exige retirar o forro sem quebrar as presilhas, desconectar fiações de alto-falante, travas e espelhos e, às vezes, lidar com o airbag lateral em alguns modelos. Por isso, se não tiver experiência, deixe o serviço com um mecânico ou eletricista.
Quando o motor ou a máquina precisam ser trocados, peças originais semi-novas são uma boa forma de economizar, já que o encaixe na porta e o conector precisam ser exatamente iguais ao original. Informe modelo, ano, número de portas e o lado do carro (motorista ou passageiro, dianteiro ou traseiro), e prefira peças testadas, com nota fiscal e procedência legal.
Foto de capa: PIVISO, via Wikimedia Commons, licença CC0.