Você deixa o carro na garagem no fim de semana e, na segunda-feira, ele não pega. Se a bateria descarregando com o carro parado virou rotina, o problema pode ser a própria bateria no fim da vida, mas também pode ser uma fuga de corrente: algum componente continua consumindo energia mesmo com a chave desligada.
O que é fuga de corrente
Mesmo desligado, o carro consome um pouco de energia. O relógio, a memória do rádio, o alarme, a central de travas e os módulos eletrônicos precisam de alimentação constante. Esse consumo é pequeno e previsto pelo fabricante. A fuga de corrente acontece quando algo passa a consumir mais do que deveria com o carro em repouso, drenando a bateria em poucos dias ou até em uma noite.
Sinais de que existe fuga de corrente
Bateria arreia depois de poucos dias parado
O sintoma mais claro. O carro funciona bem no uso diário, mas basta ficar dois ou três dias parado para não dar partida.
Bateria nova que descarrega igual
Se você já trocou a bateria e o problema continuou, a chance de ser fuga é grande. Pior: descargas profundas repetidas encurtam a vida da bateria nova.
Algo continua aceso ou funcionando
Luz do porta-malas, do porta-luvas ou de cortesia que não apaga, rádio que não desliga, ventoinha que continua girando muito tempo depois de desligar o carro são pistas diretas.
Causas mais comuns
- Acessórios instalados depois: alarmes, rastreadores, som automotivo, câmeras e centrais de vidro mal instaladas são campeões de fuga;
- Luzes internas que não apagam por interruptor de porta ou porta-malas com defeito;
- Relé travado, mantendo um circuito ligado;
- Módulo que não entra em repouso: alguns módulos ficam "acordados" por defeito interno ou falha de comunicação;
- Diodo do alternador em curto, que deixa a corrente voltar da bateria para o alternador;
- Chicote danificado, com fio desencapado encostando na lataria ou umidade em conectores.
Antes de culpar a fuga: teste a bateria
Uma bateria com placas desgastadas ou sulfatadas perde carga sozinha, mesmo sem nenhum consumo. Por isso, o primeiro passo é testar a bateria com equipamento adequado, que avalia a capacidade real e não só a tensão. Veja os sinais de bateria do carro fraca e quando trocar. Também vale conferir o sistema de carga: um alternador que carrega pouco faz a bateria rodar sempre "no limite".
Como o eletricista encontra a fuga
- Com o carro desligado, portas travadas e chave longe, aguarda-se o tempo para os módulos entrarem em repouso, que varia de alguns minutos a mais de meia hora conforme o modelo;
- Um amperímetro (ou multímetro na escala adequada, ou alicate amperímetro de precisão) é ligado em série com o polo negativo da bateria;
- Compara-se o consumo medido com o valor especificado para o carro;
- Se estiver alto, os fusíveis são retirados um a um até o consumo cair. Assim se descobre qual circuito tem a fuga;
- Com o circuito identificado, o eletricista rastreia o componente ou o trecho do chicote responsável.
Uma técnica alternativa, que não exige retirar fusíveis, é medir a pequena queda de tensão sobre cada fusível com o multímetro em milivolts. É um teste que exige experiência para interpretar, por isso o ideal é deixar com um eletricista automotivo.
Se o carro tem acessórios instalados depois de sair da fábrica, informe ao profissional. Muitas vezes, a fuga está justamente na ligação desses equipamentos.
Referência rápida
| Situação | Causa provável |
|---|---|
| Bateria com mais de 3 anos e partida lenta | Desgaste da bateria |
| Bateria nova descarregando em poucos dias | Fuga de corrente |
| Descarga começou após instalar acessório | Instalação do acessório |
| Luz da bateria acende com motor ligado | Sistema de carga (alternador) |
Como evitar
- Instale acessórios apenas com profissionais e sempre com fusível próprio;
- Confira se luzes internas e do porta-malas apagam;
- Se o carro for ficar parado por semanas, use um mantenedor de carga ou desconecte o polo negativo;
- Rode pelo menos uma vez por semana com trajetos de mais de 20 minutos, para a bateria recuperar carga;
- Mantenha os terminais limpos e bem apertados.
Quando o defeito está em um componente
Se a fuga vier de um módulo de conforto, de uma central de travas ou do alternador, a troca do componente costuma resolver. Nesses casos, uma peça original semi-nova, testada em bancada e com nota fiscal, é uma forma de resolver o problema mantendo a compatibilidade total com a eletrônica do carro, sem pagar o preço de concessionária.
Foto de capa: Shixart1985, via Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0.