A troca de óleo do motor é a manutenção mais básica do carro, e justamente por isso muita gente adia. O problema é que óleo vencido ou errado é uma das principais causas de desgaste prematuro e até de motor fundido. Entender quando trocar e qual óleo usar evita gastos muito maiores lá na frente.
O que o óleo faz no motor
O motor tem dezenas de peças metálicas girando e deslizando em alta velocidade: pistões, bronzinas, virabrequim, comando de válvulas. O óleo forma uma película entre essas superfícies e cumpre várias funções ao mesmo tempo:
- Lubrificar, evitando o contato direto entre metais;
- Refrigerar partes que o líquido de arrefecimento não alcança;
- Limpar, carregando resíduos da combustão até o filtro;
- Vedar a folga entre anéis e cilindros;
- Proteger contra corrosão.
Com o uso, os aditivos se desgastam, o óleo se contamina com fuligem e combustível e perde a capacidade de proteger. Por isso ele tem prazo de validade.
Quando fazer a troca
O intervalo correto está no manual do proprietário, e varia bastante conforme o motor e o tipo de óleo. Como referência geral:
| Tipo de óleo | Intervalo típico | Observação |
|---|---|---|
| Mineral | 5 mil km ou 6 meses | Comum em motores mais antigos |
| Semissintético | 5 mil a 10 mil km ou 6 meses | Bom custo-benefício |
| Sintético | 10 mil km ou 12 meses, ou conforme manual | Exigido por muitos motores modernos e turbo |
Vale o que vencer primeiro: quilometragem ou tempo.
Uso severo: reduza o intervalo
Os manuais costumam indicar um intervalo menor para uso severo, que na prática descreve o dia a dia de muita gente: trajetos curtos em que o motor não chega a esquentar totalmente, trânsito pesado com muito anda e para, estradas de terra com poeira, reboque ou carro sempre carregado, e uso como táxi ou aplicativo. Nesses casos, o intervalo pode cair pela metade. Confira no manual do seu carro.
Como escolher o óleo certo
Viscosidade
É o número que aparece na embalagem, como 5W30 ou 15W40. Ele indica como o óleo se comporta frio e quente. Usar um óleo mais grosso ou mais fino do que o indicado pode prejudicar a lubrificação, principalmente na partida, que é quando ocorre a maior parte do desgaste.
Especificação
Além da viscosidade, o manual indica uma norma de qualidade, como as classificações API ou ACEA, e às vezes uma norma própria da montadora. Motores modernos, com turbo, injeção direta ou comando variável, costumam ser exigentes nesse ponto. Um óleo com a viscosidade certa, mas especificação inferior, pode não proteger o suficiente.
Marca e procedência
Óleo deve ser sempre novo, lacrado e de marca reconhecida. Desconfie de preços muito abaixo do mercado: existem óleos adulterados e embalagens reaproveitadas.
Na troca, confira se o mecânico abre embalagens lacradas na sua frente, troca a arruela do bujão do cárter quando necessário e anota a quilometragem e a data da próxima troca. Guardar as notas fiscais dos serviços também ajuda a comprovar a manutenção na hora de vender o carro.
Sinais de que o óleo precisa de atenção
- Luz de pressão do óleo acesa: pare o carro em local seguro e desligue o motor. Rodar assim pode fundir o motor em pouco tempo;
- Nível baixo na vareta entre as trocas: pode indicar vazamento ou consumo de óleo;
- Óleo muito escuro e grosso antes do prazo, ou com aspecto leitoso, que pode indicar mistura com líquido de arrefecimento;
- Motor mais barulhento, principalmente na partida a frio.
Como verificar o nível
- Estacione em local plano, com o motor desligado e frio, ou espere alguns minutos depois de desligar;
- Puxe a vareta, limpe com um pano e coloque de volta até o fim;
- Retire de novo e veja se o nível está entre as marcas de mínimo e máximo;
- Se precisar completar, use o mesmo óleo e não passe do máximo.
Faça essa verificação a cada duas ou três semanas, ou antes de viagens. Óleo baixo também contribui para o motor esquentando, já que parte da refrigeração depende dele.
Filtro e o resto do sistema
Óleo e filtro são itens de desgaste e devem ser sempre novos, de marcas confiáveis e com nota fiscal. Já peças do sistema de lubrificação que não se desgastam a cada troca, como cárter, bomba de óleo ou suporte do filtro, podem ser substituídas por originais semi-novas testadas quando apresentam defeito, com economia em relação à peça nova de concessionária.
Foto de capa: Dvortygirl, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0.