O sensor de fase, também conhecido como sensor de posição do comando de válvulas (ou sensor CMP), informa à central de injeção em que ponto do ciclo cada cilindro está. Parece um detalhe, mas é essa informação que permite injetar combustível no momento exato em cada cilindro e, nos motores com variador de fase, controlar a abertura das válvulas. Quando ele falha, o carro pode demorar a pegar, perder força e acender a luz da injeção.
Para que serve o sensor de fase
Em um motor de quatro tempos, o virabrequim dá duas voltas para completar um ciclo, enquanto o comando de válvulas dá uma. O sensor de rotação, que lê o virabrequim, sabe onde estão os pistões, mas não consegue distinguir se o cilindro 1 está no tempo de compressão ou no de escape. Quem resolve essa dúvida é o sensor de fase, que lê uma marca ou roda dentada no comando.
Com as duas informações, a central consegue:
- Fazer a injeção sequencial, abrindo cada bico na hora certa para aquele cilindro;
- Em alguns sistemas, controlar a ignição individual por cilindro;
- Identificar em qual cilindro ocorre uma falha de combustão;
- Comandar o variador de fase (comando variável), quando o motor tem esse recurso, conferindo se o comando está na posição pedida.
Como ele funciona
A maioria dos sensores de fase atuais é do tipo efeito Hall: recebe alimentação da central e gera um sinal de pulsos quadrados sempre que um dente ou janela da roda do comando passa à sua frente. Alguns motores mais antigos usam sensores indutivos, que geram o próprio sinal. O sensor normalmente fica no cabeçote, na tampa de válvulas ou perto da polia do comando.
Motores com dois comandos e variador de fase podem ter dois sensores, um para o comando de admissão e outro para o de escape. Nesses casos, o código de falha indica qual deles apresentou problema, o que ajuda bastante no diagnóstico.
Por que ele falha
Os defeitos mais comuns vêm do ambiente em que o sensor trabalha: calor intenso, vibração e, muitas vezes, contato com óleo. Vazamentos pela tampa de válvulas encharcam o conector, o anel de vedação do sensor resseca e deixa óleo entrar na fiação, e os componentes eletrônicos internos podem falhar depois de muitos ciclos de aquecimento e resfriamento.
Sintomas de sensor de fase com defeito
Partida demorada
Sem o sinal de fase, a central precisa adivinhar o tempo dos cilindros e passa a injetar em modo simultâneo ou semissequencial. O motor de partida gira mais tempo antes de o motor pegar, principalmente na primeira partida do dia.
Carro não pega
Em alguns motores a central não libera injeção ou ignição sem o sinal de fase. Se o seu carro gira mas não pega, veja também o passo a passo de carro não liga.
Perda de desempenho e consumo maior
Funcionando em modo de emergência, o motor perde a precisão da injeção. Em motores com comando variável, a central desativa o variador, e o carro fica sem fôlego em baixa ou em alta rotação.
Falhas e trancos
Um sinal intermitente, causado por mau contato ou sensor aquecendo, gera falhas momentâneas e trancos, às vezes só com o motor quente.
Luz da injeção acesa
Códigos da família P0340 a P0349 (circuito do sensor de posição do comando) e P0016 a P0019 (correlação entre virabrequim e comando) são os mais comuns. Saiba como agir em luz da injeção acesa.
Código de falha nem sempre é sensor ruim
| Código ou situação | O que pode ser | Verificação |
|---|---|---|
| Circuito do sensor de fase (P0340 e similares) | Sensor, conector, fiação ou alimentação | Medir alimentação, massa e sinal |
| Correlação entre comando e virabrequim (P0016 e similares) | Correia ou corrente fora do ponto, corrente esticada, variador com defeito | Conferir o sincronismo do motor |
| Falha só com motor quente | Sensor com defeito térmico | Teste do sinal com motor aquecido |
| Falha depois de troca de correia | Montagem fora do ponto ou conector esquecido | Revisar o serviço feito |
Vale reforçar: um código de correlação aparece com frequência quando a correia dentada pulou um dente ou foi montada fora do ponto. Trocar o sensor nesse caso não resolve e ainda atrasa o diagnóstico de algo mais grave. Entenda os riscos em correia dentada: quando trocar.
Como é feito o diagnóstico
- Leitura dos códigos e dados com scanner, verificando se a central reconhece o sinal de fase e, em motores com variador, se o ângulo real acompanha o ângulo pedido;
- Inspeção do conector e do chicote, que passa perto do escapamento e de partes quentes;
- Medição da alimentação e do aterramento do sensor com multímetro;
- Osciloscópio: o teste mais conclusivo, comparando os sinais de fase e de rotação ao mesmo tempo para confirmar sinal limpo e sincronismo correto;
- Inspeção da roda fônica do comando, que pode ter dentes danificados ou sujeira metálica.
Cuidados na troca
- Limpe a área de assentamento e substitua o anel de vedação, evitando vazamento de óleo;
- Não force o sensor no alojamento; ele deve entrar com leve pressão;
- Confira a folga especificada entre sensor e roda dentada, quando houver;
- Apague os códigos e teste com motor frio e quente.
Comprando o sensor de fase
Sensores de fase têm formato, comprimento e tipo de sinal específicos para cada motor, e diferenças pequenas já impedem a central de reconhecer o sinal. Siga o código da peça, de preferência original, nova ou semi-nova testada em bancada. Ao comprar, peça nota fiscal, informe-se sobre a garantia e escolha um fornecedor que trabalhe com procedência legal. É a forma mais simples de ter certeza de que o problema foi resolvido e não apenas trocado de lugar.
Foto de capa: Anna.Massini, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.




