O sensor de rotação é uma peça pequena, mas sem ele o motor simplesmente não funciona. Quando começa a falhar, provoca alguns dos sintomas mais intrigantes da injeção eletrônica: carro que morre do nada quando esquenta, partida que falha só de vez em quando e conta-giros que oscila sem motivo. Conhecer esses sinais ajuda a chegar rápido ao diagnóstico.
Como o sensor de rotação funciona
O sensor fica posicionado de frente para uma roda fônica, uma roda dentada presa ao virabrequim ou ao volante do motor. Essa roda tem uma falha, ou seja, um ou dois dentes a menos, que serve como ponto de referência.
Conforme o motor gira, os dentes passam em frente ao sensor e geram um sinal elétrico. Com esse sinal, o módulo de injeção sabe:
- A rotação do motor, em rpm;
- A posição exata do virabrequim, e portanto dos pistões.
É com essa informação que o módulo decide o momento da faísca e da injeção em cada cilindro. Existem dois tipos principais: o indutivo, de dois fios, que gera o próprio sinal, e o de efeito Hall, de três fios, que recebe alimentação do módulo e gera um sinal digital.
Sintomas de sensor de rotação com defeito
Carro gira e não pega
Sem sinal de rotação, o módulo não libera injeção nem ignição. O motor de partida funciona normalmente, mas o carro não pega. Em muitos carros, o conta-giros fica parado em zero durante a partida, o que é uma boa pista.
Motor morrendo depois de esquentar
É o sintoma clássico. O sensor com defeito interno funciona bem frio, mas, quando aquece, o sinal some e o motor desliga. Depois de esfriar por um tempo, o carro volta a pegar normalmente.
Falhas e trancos
Sinal intermitente causa cortes rápidos na ignição. O carro dá trancos, engasga ou parece "soluçar" em velocidade constante.
Conta-giros oscilando
Em muitos carros, o conta-giros usa o mesmo sinal. Ponteiro que pula ou cai a zero com o motor funcionando aponta para o sensor ou para sua fiação.
Luz da injeção acesa
O módulo costuma gravar códigos ligados ao circuito do sensor de rotação. Mas nem sempre: em falhas rápidas, o motor pode morrer sem que a luz acenda.
Causas comuns
- Calor e envelhecimento dos componentes internos do sensor;
- Chicote danificado: o fio passa perto do escapamento e de partes móveis, e pode derreter, romper ou ter o isolamento gasto;
- Conector oxidado ou com trava quebrada;
- Sujeira metálica grudada na ponta do sensor, comum quando ele é magnético;
- Roda fônica danificada: dentes amassados ou roda deslocada geram sinal errado mesmo com sensor novo;
- Folga incorreta entre sensor e roda fônica, depois de alguma montagem.
Como o sensor de rotação é testado
- Scanner: verifica códigos de falha e, durante a partida, se o módulo está recebendo sinal de rotação;
- Inspeção visual: sensor, conector, chicote e roda fônica;
- Multímetro: no sensor indutivo, mede a resistência da bobina e compara com a especificação; no tipo Hall, confere a alimentação e o aterramento vindos do módulo;
- Osciloscópio: é o teste mais confiável, porque mostra o formato do sinal e revela falhas que o multímetro não pega, inclusive com o motor quente.
Como o defeito muitas vezes só aparece com o motor quente, é importante testar nessas condições. Um sensor que mede certo na bancada fria pode falhar depois de 20 minutos de uso.
Sensor de rotação ou outra causa?
| Sintoma | Outras causas possíveis |
|---|---|
| Gira e não pega | Bomba de combustível, imobilizador, relé da injeção, módulo |
| Morre quando esquenta | Bobina, relé da bomba, chicote derretido |
| Trancos em velocidade constante | Velas, bobina, bicos, combustível ruim |
Se o carro gira e não pega, vale descartar a alimentação de combustível também. Veja os sinais de bomba de combustível com defeito.
Cuidados na troca
- Confira o código e o tipo do sensor: indutivo e Hall não são intercambiáveis, mesmo que pareçam iguais;
- Limpe o alojamento e verifique a roda fônica antes de instalar o novo sensor;
- Respeite a folga indicada pelo fabricante, quando for regulável;
- Revise o chicote e as presilhas, para o fio não encostar no escapamento.
Peça certa, com origem conhecida
Sensores originais semi-novos são uma boa opção para quem quer manter a peça de fábrica pagando menos, porque o sinal precisa ser exatamente o que o módulo espera. Exija nota fiscal, confirme a compatibilidade pelo código da peça e prefira sensores testados antes da venda.
Foto de capa: Snewkirk7953, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0.