Pequeno e barato, o sensor de temperatura do motor tem um papel enorme: ele diz ao módulo de injeção se o motor está frio ou quente, e muitas vezes é ele que comanda a ventoinha e o ponteiro do painel. Quando falha, os sintomas vão de partida difícil e consumo alto até superaquecimento sem aviso.
Como o sensor de temperatura funciona
O sensor fica em contato com o líquido de arrefecimento, geralmente perto da válvula termostática ou no cabeçote. Na maioria dos carros, ele é um termistor: uma resistência que muda de valor conforme a temperatura. Em geral, quanto mais quente o líquido, menor a resistência. O módulo lê essa variação e converte em temperatura.
Com essa informação, a injeção decide:
- Quanto combustível a mais injetar com o motor frio;
- Qual a rotação de marcha lenta durante o aquecimento;
- O ponto de ignição;
- Quando acionar a ventoinha do radiador, em muitos modelos;
- O que mostrar no ponteiro ou indicador de temperatura do painel.
Sintomas de sensor de temperatura com defeito
Ponteiro do painel maluco ou parado
O ponteiro sobe e desce sem lógica, fica sempre no mínimo ou vai direto ao máximo com o motor ainda frio.
Ventoinha que não liga ou não desliga
Se o sensor informa temperatura baixa, a ventoinha não entra e o motor pode esquentar no trânsito. Se informa temperatura alta, a ventoinha pode ficar ligada o tempo todo.
Consumo alto e fumaça escura
Um sensor que "acha" que o motor está sempre frio faz a injeção enriquecer a mistura o tempo todo. O consumo sobe e pode haver cheiro de combustível no escapamento.
Partida difícil
Com leitura errada, a mistura de partida fica inadequada: o motor quente pode encharcar, e o motor frio pode não receber combustível suficiente.
Marcha lenta irregular
A rotação fica alta demais depois que o motor já esquentou, ou baixa demais na partida a frio.
Luz da injeção acesa
Sinal fora da faixa ou incoerente com o tempo de funcionamento do motor costuma gerar código de falha.
Por que o sensor falha
- Desgaste natural do elemento interno com anos de ciclos de aquecimento;
- Conector oxidado ou fios ressecados pelo calor do motor;
- Líquido de arrefecimento vencido ou só com água, que favorece corrosão e depósitos na ponta do sensor;
- Nível baixo de líquido: o sensor fica exposto a vapor e mede errado.
Como é feito o teste
- Leitura com scanner: com o motor frio, parado há horas, a temperatura indicada deve ser próxima da temperatura ambiente; depois, deve subir de forma gradual até a temperatura de trabalho;
- Medição da resistência do sensor com multímetro em diferentes temperaturas, comparando com a tabela do fabricante;
- Verificação do chicote: alimentação, aterramento e estado do conector;
- Conferência do nível e estado do líquido de arrefecimento e da válvula termostática.
Atenção: um termostato travado aberto faz o motor demorar a esquentar e pode parecer defeito no sensor. Por isso, o diagnóstico precisa olhar o sistema todo.
Também é comum o defeito estar no conector, e não no sensor. Com o calor do cofre do motor, o plástico resseca, as travas quebram e os terminais oxidam. O resultado é um sinal intermitente, que faz o ponteiro oscilar ou a ventoinha ligar sem motivo. Antes de trocar o sensor, vale conferir se o conector está firme, limpo e sem fios partidos. Se for preciso trocar o sensor, a troca deve ser feita com o motor frio e com reposição do líquido que eventualmente vazar.
Referência rápida
| Leitura do sensor | Efeito no carro |
|---|---|
| Sempre "frio" | Consumo alto, fumaça escura, ventoinha não liga |
| Sempre "quente" | Partida a frio difícil, ventoinha sempre ligada |
| Oscilando | Ponteiro instável, marcha lenta irregular |
| Sem sinal | Luz da injeção, ventoinha ligada direto (modo de proteção) |
Cuidados
- Use o aditivo indicado pelo fabricante, na proporção certa, e troque no prazo do manual;
- Verifique o nível do reservatório com o motor frio. Nunca abra a tampa com o motor quente: o líquido está sob pressão e pode causar queimaduras graves;
- Se o ponteiro subir acima do normal, pare em local seguro e desligue o motor. Veja o que fazer com o motor esquentando.
Peça certa para o seu motor
Existem muitos modelos de sensor de temperatura com rosca e conector parecidos, mas curvas de resistência diferentes. Um sensor errado faz a injeção trabalhar fora do ponto. O mais seguro é usar o sensor original especificado para o seu motor; um original semi-novo testado e com nota fiscal é uma alternativa econômica que mantém a mesma calibração.
Foto de capa: Santeri Viinamäki, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.