O módulo de injeção com defeito é um dos diagnósticos mais temidos pelos donos de carro, e também um dos mais mal feitos. O módulo, também chamado de ECU ou central eletrônica, comanda todo o funcionamento do motor. Quando ele falha, os sintomas podem ser variados e confusos. Por outro lado, muitos defeitos atribuídos a ele estão, na verdade, em sensores ou na fiação.
O que o módulo de injeção faz
O módulo é um computador que recebe, em tempo real, os sinais de diversos sensores: rotação, temperatura do motor, pressão do coletor (MAP), posição da borboleta, sonda lambda, detonação, entre outros. Com essas informações, ele calcula:
- Quanto combustível cada bico injetor deve injetar;
- O momento exato da faísca em cada cilindro;
- A marcha lenta, por meio do corpo de borboleta;
- O acionamento da bomba de combustível e, em muitos carros, da ventoinha.
Ele também grava os códigos de falha que aparecem no scanner e acendem a luz da injeção. Em muitos modelos, conversa com outros módulos, como o do câmbio automático, do ABS e do painel.
Sintomas de módulo de injeção com defeito
Carro gira e não pega
Sem o módulo funcionando, não há comando para bicos e ignição. O motor de partida gira normalmente, mas o carro não pega. Atenção: o mesmo sintoma aparece com falha na bomba de combustível, no sensor de rotação ou no imobilizador.
Scanner não comunica
Se o scanner não consegue se conectar ao módulo, mesmo com a ignição ligada e o equipamento funcionando em outros carros, pode haver falha no módulo ou, mais frequentemente, na alimentação, no aterramento ou na rede de comunicação.
Falhas intermitentes e sem lógica
O motor morre sozinho, falha em um cilindro sem motivo aparente ou muda de comportamento com o calor e a umidade. Componentes internos com solda trincada costumam dar esse tipo de sintoma.
Vários códigos de falha ao mesmo tempo
Muitos códigos simultâneos, de sensores diferentes, podem indicar um problema comum: alimentação de referência do módulo, aterramento ou o próprio módulo.
Ventoinha, bomba ou bicos sem comando
Quando um circuito de saída do módulo queima, o componente comandado para de funcionar, mesmo estando bom.
Causas mais comuns de dano
- Água: infiltração pelo vão do para-brisa, lavagem do cofre do motor ou carro alagado;
- Picos de tensão: chupeta feita de forma errada, inversão de polaridade da bateria ou solda elétrica na carroceria sem desconectar a bateria;
- Curto em componentes: bico injetor, bobina ou relé em curto podem queimar o circuito de saída correspondente no módulo;
- Calor e vibração ao longo de muitos anos.
Antes de condenar o módulo
Um diagnóstico sério verifica primeiro tudo o que está em volta:
- Tensão da bateria e estado dos cabos e terminais;
- Fusíveis e relé principal da injeção;
- Aterramentos do motor e do módulo, sem oxidação;
- Conectores do módulo, procurando terminais oxidados, frouxos ou com sinais de umidade;
- Sensores e atuadores, medindo resistência e sinal, e procurando curtos que possam ter afetado o módulo;
- Chicote elétrico, principalmente em trechos próximos ao escapamento ou em pontos de atrito.
Muitos "módulos queimados" voltam a funcionar depois de uma simples limpeza de conector ou do reparo de um fio de aterramento. Veja como investigar a fiação em mau contato no chicote elétrico.
Reparar ou trocar
| Situação | Caminho mais indicado |
|---|---|
| Componente queimado por curto externo | Reparo em laboratório, após corrigir a causa |
| Solda trincada ou falha intermitente | Reparo em laboratório |
| Placa corroída por água | Troca do módulo |
| Memória corrompida | Regravação do software por especialista |
Um ponto crucial: se o módulo queimou por causa de um bico ou bobina em curto, trocar só o módulo faz o novo queimar também. A causa precisa ser eliminada antes.
Cuidados para proteger o módulo
- Não lave o cofre do motor com jato de alta pressão;
- Mantenha limpos os drenos do vão do para-brisa;
- Faça chupeta seguindo a ordem correta dos cabos e, na dúvida, chame ajuda;
- Desconecte a bateria antes de qualquer solda elétrica no carro.
Módulo semi-novo: o que conferir
Um módulo original semi-novo pode ser uma solução econômica, desde que tenha exatamente o mesmo código de peça e de software do original, ou que seja compatível com o motor e a versão do carro. Prefira peças testadas, com nota fiscal e procedência legal, e conte com um profissional para a codificação com o imobilizador. Para entender as diferenças entre as opções, veja peça original, paralela ou semi-nova.
Foto de capa: User:Mgiardina09 This photo was taken with Samsung Galaxy S4, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0.